sábado, 25 de abril de 2009

Reabilitação neuropsicológica na doença de Alzheimer



A demência na doença de Alzheimer (DA) é uma patologia neurodegenerativa, progressiva, com evolução média de oito a dez anos e de etiologia ainda desconhecida. Caracteriza-se por perda progressiva de memória e de outras funções cognitivas, prejudicando o desempenho do indivíduo em suas atividades diárias, sociais e ocupacionais. Na fase inicial, além do déficit de memória, ocorrem, também, as primeiras alterações de linguagem, contribuindo ainda mais para o comprometimento do cotidiano e da qualidade de vida dos portadores dessa doença. Uma vez que ainda não há tratamento que possa curar ou reverter a deterioração causada pela demência, os tratamentos atualmente disponíveis visam aliviar sintomas cognitivos e comportamentais por meio de medicação; técnicas cognitivas de reabilitação; reestruturação do ambiente; e grupos informativos para pacientes, familiares e cuidadores.

A reabilitação neuropsicológica tem como objetivo capacitar pacientes e familiares para lidarem melhor com os prejuízos causados pela doença, fazendo com que estes passem a ter uma vida melhor, com menos rupturas nas atividades comumente realizadas. Para tanto, propõe-se a ensinar, aos pacientes e familiares, estratégias compensatórias e organização para a produção de respostas, propiciando tanto melhora das funções cognitivas, como da qualidade de vida.

A literatura atual tem se dedicado a verificar a eficiência das técnicas de desenvolvimento de memória, principalmente daquelas que se baseiam na memória implícita, geralmente intacta; na compensação de déficit de memória explícita, por meio de treino do uso de auxílios externos e internos; e na facilitação da memória explícita residual, através de estratégias de suporte estruturado, tanto de codificação como de resgate.

O trabalho de reabilitação de linguagem para esses pacientes tem se voltado à reestruturação e à compensação dos processos de compreensão e emissão. No que tange à compreensão, a orientação de cuidadores e familiares tem sido feita dando ênfase à otimização do processo de comunicação, à manutenção do contato visual e ao treino de criação de imagens mentais sobre o assunto tratado, medidas essas que parecem promover maior sucesso na compreensão da mensagem. As orientações e o treino com enfoque no resgate estruturado por meio de pistas específicas, fonológicas ou semânticas, associados à imagem mental, têm mostrado benefícios na facilitação da evocação da informação, interferindo positivamente na emissão do paciente.

Pesquisas recentes têm se voltado para o estudo da plasticidade neural em idosos saudáveis e com DA, e seus últimos achados têm sido animadores, pois há a hipótese de que por meio da ativação de áreas seletivas do cérebro durante a vida este pode ter a possibilidade de se proteger contra o processo degenerativo (Rosenzweig e Bennett, 1996). Além disso, há suposições de que certo nível de plasticidade neural persiste durante a terceira idade e na DA. Assim sendo, se exercícios incitam processos plásticos, determinando uma nova forma de interconexão neural, e essa capacidade que o próprio cérebro tem de se auto-organizar está também presente em idosos com DA, exercícios cognitivos feitos na reabilitação poderiam agir positivamente na organização das funções do cérebro desses pacientes (Mirmiram et al., 1996).

A reabilitação neuropsicológica das funções mnésticas e da linguagem tem mostrado evidências de trazer impacto positivo no tratamento de pacientes com DA, principalmente quando aliada ao tratamento medicamentoso com anticolinesterásicos. Dessa maneira, a diversidade de técnicas de reabilitação constitui vasto campo para a pesquisa de possíveis efeitos e benefícios, e seus resultados podem proporcionar a oportunidade de que se vislumbre o grande potencial a ser desenvolvido nessa nova abordagem para o tratamento de doenças degenerativas.

Rev. Psiq. Clín. 28 (6):286-287, 2001


sexta-feira, 24 de abril de 2009

Conheça o Programa de Enriquecimento Instrumental, que ajuda indivíduos do mundo todo a aprenderem a aprender!



O PEI reforça as funções cognitivas que permitem ao estudante ou profissional, definir problemas sistematicamente, fazer conexões e ver relações, motivar-se, melhorar seus hábitos de estudo e trabalho e desenvolver a habilidade para aplicar as funções cognitivas na solução de qualquer problema ou situação.

O Programa produz resultados positivos e mensuráveis. Mais de mil pesquisas e estudos ao redor do mundo atestam o sucesso do PEI melhorando realização e motivação. Estes estudos também demonstram aquela melhoria de aprendizagem continua ao longo de vida.

É um programa projetado para aumentar as habilidades necessárias para aprendizagem e pensamento independente. Origina-se da teoria e pesquisa do psicólogo Reuven Feuerstein que acredita que a inteligência se aprende. Assim, o programa busca desenvolver o pensamento crítico com os conceitos, habilidades, estratégias, operações, e atitudes necessárias para uma aprendizagem independente; diagnosticar e corrigir deficiências nas habilidades de pensamento; e ajudar indivíduos a aprenderem a aprender.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Avaliação Neuropsicológica

A avaliação neuropsicológica é um exame que tem como principal objetivo investigar o funcionamento cerebral. Por meio de baterias e testes neuropsicológicos, o profissional pode identificar possíveis desordens neurológicas e obter informações que servem para o auxílio no diagnóstico e prognóstico, bem como base para planos de intervenção neuropsicológica que contribuam para a melhoria da qualidade de vida de uma pessoa que apresenta alterações comportamentais e / ou cognitivas oriundas de um acometimento cerebral. Várias são as pesquisas e instituições que confirmam a importância da avaliação neuropsicológica para o tratamento de acometimentos no cérebro, sejam estes adquiridos por uma lesão cerebral (como AVC ou acidente que afete alguma função), ou frutos de um processo neurológico natural (como declínios cognitivos que podem levar a um quadro de demência ou Alzheimer, por exemplo). Questões relativas ao processo de desenvolvimento também são contempladas em uma avaliação neuropsicológica. Podem ser exemplos dessas dificuldades a hiperatividade, transtorno de déficit de atenção e dislexia.

Além dos aspectos funcionais debilitados, essa avaliação contribui no monitoramento da recuperação de uma pessoa acometida por alguma desordem neuropsicológica; auxilia, ainda, em um diagnóstico diferencial entre síndromes neurológicas e psicológicas; descreve os aspectos preservados que servem como apoio para um plano de ação frente ao problema, bem como apoio aos familiares e à pessoa acometida, no intuito de otimizar sua saúde e bem-estar.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O que é Dislexia?


Distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura e da escrita, a dislexia é o distúrbio de maior incidência nas salas de aula. Pesquisas realizadas em vários países mostram que entre 05% e 17% da população mundial é disléxica. Ao contrário do que muitos pensam, a dislexia não é o resultado de má alfabetização, desatenção, desmotivação, condição sócio-econômica ou baixa inteligência. Ela é uma condição hereditária com alterações genéticas, apresentando ainda alterações no padrão neurológico.Por esses múltiplos fatores é que a dislexia deve ser diagnosticada por uma equipe multidisciplinar. Esse tipo de avaliação dá condições de um acompanhamento mais efetivo das dificuldades após o diagnóstico, direcionando-o às particularidades de cada indivíduo, levando a resultados mais concretos.